
O Karavan é uma plataforma que torna o planejamento de viagens em grupo mais colaborativo, inclusivo e divertido. Com um sistema de decisões descentralizado, todos os viajantes colaboram para criar o itinerário perfeito.
O planejamento de viagens em grupo sobrecarrega um único organizador, que centraliza as decisões e utiliza um ecossistema desintegrado de ferramentas. Esse processo manual e fragmentado resulta na perda de informações importantes e das preferências individuais, tornando o planejamento ineficaz, pouco colaborativo e excludente com as necessidades de todos os envolvidos.
Auxiliar grupos de viajantes através de uma plataforma que descentraliza o processo de tomada de decisão e organiza informações importantes e preferências dos envolvidos, tornando o planejamento do itinerário mais efetivo, colaborativo e inclusivo.

O ponto de partida do projeto foi uma pesquisa exploratória para mapear os principais atritos relacionados a experiência de viajar. Nossa investigação começou com uma desk research, que trouxe dados secundários sobre o perfil demográfico de viajantes e com uma etnografia digital, que nos permitiu observar as frustrações dos viajantes em ambientes online (fóruns, redes sociais, etc) de forma não intrusiva.
Nessa observação, os relatos de frustração revelaram as principais inseguranças: o medo de estourar o orçamento, o receio de perder tempo com imprevistos e o estresse de gerar conflitos entre viajantes. Para validar e quantificar os padrões percebidos, estruturamos uma survey online respondida por 80 pessoas, que também serviu para a coleta de contatos para realização de entrevistas qualitativas.
As respostas da survey confirmaram as queixas relacionadas a desorganização e revelaram um padrão, que auxiliou na formulação da nossa principal hipótese: a raiz de muitos problemas estava na etapa de planejamento. Essa conexão se tornava ainda mais clara no contexto de viagens em grupo.
A survey também forneceu um contexto inicial sobre o papel do organizador: a responsabilidade do planejamento recaía quase sempre sobre uma única pessoa, que precisava gerenciar orçamentos e preferências em um ecossistema caótico de planilhas, anotações e chats.
Para validar essa hipótese, conduzimos 12 entrevistas qualitativas com organizadores de viagens. As conversas confirmaram que o problema não estava nas decisões da viagem, mas na forma de documentá-las e compartilhá-las. O processo era sempre o mesmo: o organizador centralizava as informações em arquivos pessoais e usava o WhatsApp para comunicar os detalhes, onde os dados importantes se perdiam em meio às conversas.
A ausência de um registro formal para as preferências individuais gerava retrabalho constante, revelando que o verdadeiro obstáculo era a falta de uma estrutura organizada para o planejamento.
Outro padrão que emergiu das entrevistas foi que esse papel de organizador era comumente atribuído às mulheres, que assumiam a carga mental do planejamento, principalmente no contexto de viagens em família, onde a figura da mãe frequentemente centralizava essa responsabilidade.
Para sintetizar os achados da pesquisa, consolidamos os dados em uma Persona, que teve suas dores detalhadas em um Mapa de Empatia. Estas ferramentas alinharam o time em torno do nosso desafio: criar uma solução que trouxesse estrutura para a colaboração e aliviasse a sobrecarga do organizador.
Com os problemas dos usuários claramente definidos na fase de Descoberta, o desafio seguinte foi traduzir esses insights em uma solução concreta. A fase de Ideação foi focada em gerar e refinar ideias para criar um produto que resolvesse as dores do planejamento de viagens em grupo.
Para embasar as decisões de produto, analisamos soluções existentes no mercado de planejamento de viagens. Os concorrentes com maior proximidade à proposta do Karavan são o Wanderlog, Jetty e o Troupe: apps que oferecem organização de itinerário e algum nível de colaboração em grupo, mas carecem de recursos voltados à gestão de preferências e restrições individuais dos viajantes e à tomada de decisão coletiva de forma estruturada. A análise confirmou uma lacuna clara: as ferramentas disponíveis tratam o planejamento como uma tarefa individual, deixando de lado a complexidade de alinhar grupos.
Com a lacuna de mercado confirmada, o processo seguiu para sessões de brainstorming com o objetivo de explorar o maior número possível de soluções e funcionalidades. Após a geração de ideias, o passo seguinte foi organizar e priorizar. Com a metodologia MoSCoW (Must, Should, Could, Won't), classificamos as funcionalidades propostas para definir o que era essencial para a primeira versão do produto. Isso garantiu que o foco permanecesse nos recursos de maior impacto, como o planejamento colaborativo de roteiros e a gestão de preferências individuais, que atacavam diretamente os problemas identificados na pesquisa.
Com as funcionalidades prioritárias definidas, o foco se voltou para como o usuário interagiria com elas. Mapeamos a jornada de planejamento de uma viagem para entender os pontos de contato e as emoções em cada etapa, desde a escolha do destino até os preparativos finais.
Esse mapeamento foi a base para construir a primeira versão do fluxo de navegação. O objetivo era criar uma estrutura lógica e intuitiva que facilitasse a colaboração. Definimos áreas-chave como um painel central da viagem, perfis de viajantes para registrar preferências e restrições (alimentares, de acessibilidade, etc.) e a funcionalidade de grupos para gerenciar os participantes. O fluxo foi pensado para que a tomada de decisão em grupo, como a escolha de passeios e restaurantes, fosse uma experiência simples e centralizada.
A fase de concepção marca a transição dos insights e ideias para artefatos tangíveis de design. O processo iniciou com prototipação em baixa fidelidade, baseados do fluxo de navegação definido na ideação. Os wireframes permitiram mapear o conteúdo e as interações de cada tela, revelando necessidades que o fluxo inicial não havia detalhado, como campos adicionais e textos de apoio ao usuário.
Em paralelo ao desenvolvimento do produto, foi construída a identidade visual do Karavan. O DNA da marca foi estruturado em torno de atributos como acessível, conciliadora e descontraída, assumindo também um papel acelerador ao facilitar decisões e destravar a organização da viagem em grupo, sempre evitando uma comunicação burocrática ou excessivamente formal.
Essa escolha foi estratégica para dialogar tanto com a persona identificada no projeto, principalmente mães que costumam organizar as viagens, quanto com outros viajantes que não lideram o planejamento, como filhos e amigos. A identidade precisava equilibrar acolhimento e leveza para conversar com esse público mais jovem, geralmente mais aberto a testar novos aplicativos e atuar como early adopters. O nome Karavan reforça a ideia de grupo em movimento, enquanto as cores quentes e a wordmark com letras mescladas simbolizam proximidade e união.
Com os protótipos de baixa fidelidade validados e refinados por meio de design critiques, o projeto evoluiu para as telas em alta fidelidade já com decisões estruturais mais seguras. Essa etapa foi essencial para viabilizar o lançamento do MVP, garantindo que os principais fluxos estivessem coerentes antes de avançar para a camada visual definitiva. A partir dessa base validada, a escalabilidade passou a guiar as decisões de construção da interface.
Foi então estruturada uma biblioteca robusta de componentes, acompanhada de um style guide e de um sistema de design tokens organizado em duas camadas, base e função. Essa abordagem facilitou a manutenção, a criação de novas variantes e a iteração contínua durante os testes de usabilidade. Um exemplo marcante foi a necessidade de ajustar a estrutura de um card após usuários relatarem falta de informações relevantes. Com a componentização, a alteração foi feita diretamente no componente, refletindo em todas as telas de forma rápida.
O foco desta etapa foi colocar o produto nas mãos de usuários reais para validar a complexa jornada de planejamento de viagens. Para isso, adotamos uma estratégia em duas frentes: testes de usabilidade tradicionais e um diário de uso de longa duração.
Para avaliar a clareza da interface e a fluidez das interações, conduzimos testes focados em recortes verticais do fluxo. O objetivo foi simular tarefas críticas em ambiente controlado, como o onboarding, a criação de viagens e o ciclo de decisão colaborativa, refinando a camada visual e interativa.
Implementamos a metodologia de diário de uso para estressar o aplicativo em cenários reais e prolongados. Dois grupos distintos utilizaram o Karavan de forma autônoma para planejar suas viagens. O acompanhamento ocorreu por meio de formulários diários, permitindo capturar atritos e percepções de uso contínuo.
Os dados coletados confirmaram a utilidade da descentralização das decisões e da organização de restrições alimentares e de saúde. A funcionalidade de votação também foi apontada como central na experiência. Por outro lado, o uso contínuo revelou que a falta de curadoria ativa gerava confusão, com usuários relatando falta do que fazer ao abrir o app.
A rigidez na divisão de tarefas também causou atrito, evidenciando a necessidade de flexibilizar o sistema de responsabilidades. Além disso, surgiram demandas para o roadmap, como a inclusão de fotos e links nas sugestões e recomendações automatizadas de passeios.
Utilizamos uma matriz de esforço e impacto para definir o escopo da versão 1.0. Problemas técnicos impeditivos, como instabilidades no login da Apple e falhas na seleção de preferências, foram corrigidos de imediato. As demais sugestões alimentaram nosso backlog, garantindo um lançamento focado na estabilidade e na validação da nossa hipótese central: aliviar a carga mental do organizador.
Impulsionado por uma campanha estratégica de lançamento envolvendo influenciadores do nicho e tráfego pago, o aplicativo alcançou a marca de 400 usuários ativos logo na primeira semana. Esse engajamento inicial não apenas comprovou a forte adesão do público à proposta de valor, mas também consolidou as métricas de conversão necessárias para guiar o crescimento futuro e as próximas iterações da plataforma.
Projeto: Karavan
Desenvolvido em: Apple Developer Academy
Ano: 2024
Equipe: Gustavo Sena, Henrique Alves, Júlia Michels, Lucas Cavalherie e Theo Velasco